quarta-feira, 24 de junho de 2015

Momento Literário de Junho!!!




“As pessoas não conversam sobre nada (...) O que mais falam é de marcas de carros ou roupas ou piscinas (...)  todos dizem a mesma coisa e ninguém diz nada diferente de ninguém”

Sempre fico impressionada com estes autores visionários. Ray Bradbury escreveu Fahreinheit 451 nos anos cinquenta nos Estados Unidos, mas as reflexões na história não poderiam ser mais atuais. Ele apresenta um parâmetro entre a televisão como algo que domina e ilude a pessoa fazendo-a crer ser dona de si própria em oposição ao livro que faz a pessoa refletir e agir por conta própria. É claro que existem bons programas na tv, como também há livros de conteúdo vazio que fazem até muito sucesso. Mas no caso o autor se volta para os bons livros e os programas de tv sem conteúdo e apelativos  que existem aos montes na televisão.
Na história Montag é um bombeiro. Mas como na época em que ele vive as casas são a prova de fogo, a função dos bombeiros é diferente: o objetivo é queimar livros. Muitos inclusive já foram queimados, mas há aqueles que resistem em manter os livros, em lê-los, lidar com estes. E essas pessoas também são perseguidas. Queimar livros é sempre sinal de domínio de uns poucos sobre muitos. O interessante é que o autor chama atenção para o fato de que as próprias pessoas preferem não ler. Não gostam da leitura, não a enxergam como algo que vai abrir seus caminhos e sim como algo pouco prazeroso, trabalhoso e chato  e por isso elas próprias se permitem dominar quando não querem raciocinar e preferem se deixar levar pelo conteúdo vazio de coisas que – não – acontecem na tv. Alguma semelhança com as preferências de hoje em dia?
A esposa de Montag é um desses exemplos que está sempre envolvida com a “família” que aparece na tv, que lhe diz o que fazer, que lhe dá conselhos. O objetivo é ter em toda parte da casa grandes telões vigiando-os e com quem ela pode ficar, sem precisar lidar com o real.
Em oposição a ela está Clarisse. Ela e a família são perseguidas por lidarem com os livros. Em um encontro com ela, Montag começa a repensar a vida e a se interessar pelo que pode estar dentro dos livros. Outros pensadores que aparecem no decorrer da história, o alertam que dentro do livro não há nada: a mente de quem lê é que junta informações e dá sentido às leituras. Mas o conteúdo de um livro é tão importante que estes pensadores o decoram antes do livro ser queimado para não se perder e poder passar à geração seguinte e dar a esta a oportunidade de refletir.
Uma das melhores partes é quando o chefe do departamento de Montag explica como surgiu essa profissão de queimadores de livros. De como a educação é negligenciada e a língua é desprezada por seus próprios falantes. E mostra que  a tv serve de companhia e permite que as pessoas se sintam felizes de maneira iludida, enquanto os livros as deixam tristes porque a chamam para a realidade, porque lhe permitem reflexões sobre a vida e necessidade de mudar o que não está bom. O conhecimento evita o vazio de conversas banais e o domínio dos poderosos. Um livro para pensar...





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